quinta-feira, 6 de maio de 2010

The sound of music


Há pouco a caminho do almoço que por acaso foi bacalhau com natas mas com mais batatas que bacalhau, houve um dente-de-leão que se encostou ao meu cabelo. Fomos assim calados durante algum tempo. Quando lhe disse que não, não e não, e mais uma vez não, foi-se embora sem mais.

E depois, pedi de postre, Postre? sim, minha senhora, quero daquele pêssego em calda, 2 metades se faz favor, como dizia pedi de postre, pêssego em calda, mas uma das metadas estava assim um bocadinho para o escurecido. Decido reclamar mas depois resolvi que não valia a pena porque talvez ficasse satisfeita com apenas 1 metade de pêssego, no entanto tive pena da outra metade que ia acabar a curta vida dela no lixo. Devia ter resolvido reclamar porque talvez assim a metade de pêssego que eu não comi, tivesse sido comida por alguém que gostasse de metades de pêssego mais escuras. Estarão a pensar, porventura, que a metade de pêssego que não comi fosse de um laranja, sim, era um pêssego, metade, mais escuro, mas não era, era preto mesmo.

Já conseguiram imaginar o dente-de-leão agarradinho ao meu cabelo? Foi uma pena não haver ninguém com uma máquina fotográfica às mãos para eternizar esta poesia.

1 comentário:

pedro disse...

o dente de leão, sim, consigo. o teu cabelo nem por isso...