O que me rio quando algum homem me (nos) vem com a conversa de que eles, homens, são simples. Que não são complicados. Que um sim é um sim, e que um não é um não.
Já quando é alguma mulher que me diz que os homens são mais simples que as mulheres, tenho apenas vontade de lhe dizer que ela é burra. Mas pronto, lá me contenho (uma pessoa não pode insultar os outros a torto e a direito, a não ser que esteja na disposição de comprar uma guerra; ora as guerras são um desperdício de tempo e energia, pelo que não valem a pena), como dizia, lá me contenho e explico-lhe como e porque os homens não são simples e são também tão complexos quanto as mulheres.
Então, digo-lhe: ouve, os homens fazem um esforço terrível para parecerem simples. E pragmáticos. E fortes. É assim que são ensinados, sabes? São uns ensinamentos que os pais gostam de passar aos filhos. Aquelas tretas, sabes, que um homem não chora, um homem é sempre forte, um homem não verga, homem que é homem não se fica e por aí adiante.
E depois digo ainda: aprender a não chorar não é possível, sabes, como toda a gente, de resto, sabe. Pode aprender-se a tentar não chorar. Pode aprender-se a tentar engolir em seco umas quantas vezes, para as lágrimas não saltarem. Pode aprender-se a chorar apenas quando se está sozinho. Pode-se, em última instância, fazer uma operação para estrangular os sacos lacrimais. Agora, aprender a não chorar, lamento, mas isso é de todo impossível.
Acrescento, em tom de retórica: já viste os dilemas que os gajos enfrentam todos os dias? Apetecer chorar e não o poder fazer porque, porra, homem que é homem não chora.
E continuo: é como aquela piada que eles gostam muito de referir, de que quando as mulheres dizem não, às vezes querem dizer sim. Isto, como sabes, é inteiramente verdade. Por capricho, às vezes dizemos não, quando estamos a morrer para dizer sim. Além do facto de termos sido ensinadas a fazer-nos de difíceis, porque as nossas mães e avós sabem que os homens pelam-se por uma conquista difícil (mulher, negócio, enfim tudo o que der luta), além daquilo, de termos sido ensinadas, nós apanhámos-lhe o gosto do capricho de os ver tentar, tentar, tentar e tentar. Dá-nos gozo.
Eles, eles quando dizem não, às vezes também querem dizer sim. Apenas dizem não, porque, caramba, homem que é homem tem de dizer não, mesmo que às vezes queira dizer sim. Homem que é homem não é capacho de ninguém. Homem que é homem, tem o seu orgulho.
Portanto, estás a ver. A mulher tem muito mais trabalho em transformar um não orgulhoso de um homem em sim, do que o homem transformar um não caprichoso de uma mulher em sim.
Ser mulher é difícil.