Repara, estava ali a fazer sopa (batata, cenoura, alho francês, bróculos, repolho, a couve-flor já não coube, sério) e aconteceu reflectir sobre as palavras nunca e sempre. Acontece-me reflectir quando faço sopa. Se serão os legumes que me inspiram? não me parece. Na verdade, é a mecanicidade do corte, da pouca atenção que a feitura da sopa exige que me permite abstrair-me para outros sítios, fora da minha cozinha. Isto não quer dizer que faça sopa sem amor à sopa, ao alimento, mas a verdade é que fazer sopa é fazer sopa! não tem nada que saber. Já vou numas centenas de sopas feitas, pelo que, a coisa torna-se realmente mecânica. Ainda não tive tempo de fazer sopas haute cuisine, daquelas que servem agora nuns copos giros, e talvez nunca chegue às sopas haute cuisine, mas pronto, quem faz o que sabe, a mais não é obrigado. Pelo menos, nisto das sopas. Se bem que eu aprendo depressa. Se me arranjarem um chef que me ensine, suplanto-o num ápice. Para inventar na cozinha é comigo. Perdi-me neste texto juliano, entretanto. Como sempre. Ah, sim, reflectia sobre as palavras nunca e sempre. Cheguei apenas agora à conclusão - outros houve que chegaram antes de mim, suponho que devem fazer ainda mais sopa - de que são estúpidas. E mentirosas.
[momento. vou ver se a água da sopa está a deitar por fora]
[não. tudo em ordem]
Não deveriam existir sequer. Se há palavras que nun, digo, que não deveriam existir, são estas. De seguida, listo algumas frases exemplificativas da imposturice destas palavras.
- Nunca te amarei (sim, a mulher de que falava nuns posts abaixo e que diz que nunca te amará está a mentir um bocadinho, mas não o sabe. está a mentir porque há-de amar-te, graças à tua masculina persistência, mas não da forma que gostarias que ela te amasse);
- Nunca te odiarei (pois. pois. talvez venha a existir um tempo em que talvez isso aconteça por algum tempo. mas passa);
- Odiar-te-ei sempre (mentira. ninguém consegue odiar para sempre. o tempo encarrega-se da memória);
- Amar-te-ei sempre (a excepção está aqui. é sabido que os pais amam para sempre os seus filhos).
Tenho ou não tenho razão?
Tenho sempre razão.
Agora vou comer a sopa.
Gostarei sempre de sopa.
UM CAMINHO CURRICULAR PARA A FORMAÇÃO HUMANISTA?
Há 1 semana
5 comentários:
Olá, minha querida Maya! :)
Então descodifica lá esta, sff: "Amo-te mas não sei se quero porque tenho medo de mim, por ti".
Não esperavas por esta. Tanto tempo sem aparecer e de repente...
A sua julianice está bastante convincente!! :)
beijos
Meu querido Noya,
Indecifrável. Nunca me aconteceu. :)
Mas deixa que quando fizer a próxima sopa, penso nisso e depois logo te digo algo.
Realmente ... por onde andaste?
Bípede,
Convenceu-te? :) A sopa, ou a teoria do sempre e nunca? :)
Beijos
Boa noite, Maya ))
Dou sopa na sopa e no nunca. No sempre ainda acredito. Sou assim, um eterno sonhador ))
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